Sorria, você está pagando mico!

Era uma manhã simples como qualquer outra de sua rotina. Ela acordou e fez tudo aquilo que fazia parte de seu dia-a-dia: tomou banho, escovou os dentes, preparou um café, leu as manchetes do jornal, jogou livros e papéis numa bolsa, vestiu o seu casaco e saiu de casa. Tudo exatamente como sempre foi até o momento de entrar no elevador. Momento este que mudaria uma vida.

Como saía cedo de sua casa, era raro ter gente no elevador. Então ela criou o hábito de aproveitar os 30 segundos que tinha de seu andar à portaria para ajeitar o seu cabelo ou retocar sua maquiagem. Pura vaidade feminina ou pressa, que a impedia de se arrumar como queria, o que importa é que ela tinha privacidade para fazer o que quisesse em meio minuto.

Naquela manhã, porém, não se sabe ao certo o que aconteceu, se Júpiter se alinhou com Urano ou se Zeus estava de mau humor. Ela entrou no elevador, apertou o botão para descer e pegou o seu batom. Se posicionou na frente do espelho, destampou o batom, o aproximou de seus lábios e ... "ATCHIM!" Seu rosto tinha uma linha rosa do canto direito de sua boca até a ponta de sua sobrancelha.

Ela tinha 18 segundos para resolver o problema. Abriu sua bolsa, procurou desesperadamente por alguma coisa que pudesse ajudá-la. Na falta de tal coisa, arrancou uma página de seu caderno e a esfregou em movimentos circulares uniformes sobre sua face. Ao invés de melhorar, a situação só piorou. O que antes era simplesmente uma linha, agora era uma arte abstrata em degradê rosa, digna de teste psicotécnico.

9 segundos restavam. Sua honra estava em jogo. Era tudo ou nada. Ela cuspiu e lambeu o papel, para umidecê-lo. 7 segundos, movimentos circulares para a direita. 5 segundos, movimentos circulares para a esquerda. 3 segundos, mais uma lambida no papel. Adrenalina na veia. Lágrimas nos olhos. 2 segundos, estava saindo! 1 segundo, milagre! Ela teve sorte no final !








Ou não.

3 mol de comentários:

Fábio disse...

Ahaha...que azar dessa menina, não? E o povo assistindo a tudo, de cadeira..rsrs

Uma observação válida acerca dessa questão de privacidade diz respeito ao atual entendimento dos órgãos de cúpula do Poder Judiciário. Em suma, pode-se colocar câmera em todos os lugares públicos, aberto ao público e privados, com a ressalva daqueles lugares aonde se tem presunção de exercício de intimidade, como por exemplo quarto, banheiro, elevador, ops..., elevador não. É que ao sair de casa você já está naturalmente dispondo de sua imagem.

Beijão Raquel!!!

P.s.: Já que escreves tão bem, poderia fazer um poema para mim. Seria muito bom.

E outra: Essa narrativa nos indica que a garota era um ser "pos scriptum", rrsr, ou estou enganado?

Raquel Castro disse...

hahaha! Essa história foi inspirada numa situação que não foi exatamente assim, mas que fez minha imaginação trabalhar...rs

Vitamina disse...

HUAHUAHUAHUAHUHUA. GENIAL!